E foi num mágico dia das bruxas, 31
de outubro de 2011 que tudo começou a acontecer...sentia que algo magicamente
mudava em mim, e ao mesmo tempo comumente fazia coisas rotineiras com um ar de
que tudo se transformaria dentro de muito breve.
Procurava uma roupa para vir
trabalhar e não a achava, cansada, desisti e fui dormir, no meio da madrugada
de 01/11 senti minha garganta inflamar muito, tomei um antibiótico forte às 5h
e não conseguia nem respirar direito de tanta dor, levantei com cara de
Halloween mesmo, continuei procurando o casaco que mentalizei com a roupa que
tinha escolhido de qualquer jeito previamente na noite do dia 31/10 e não
encontrava o casaco dourado...finalmente achei, a garganta inflamada me impedia
de lavar o cabelo pela manhã e sair com ele por secar, eu não teria tempo, eu
chegaria atrasada, disfarcei no penteado com uma tiara, eu estava confusa e
atrapalhada na hora de me vestir, minhas olheiras denunciavam uma noite em
claro, meu cabelo estava sujo...rs...minha roupa desconjuntada, mas eu não
podia perder o trem...
...antes de sair minha mãe me disse
que meu cabelo estava horrendo, corri para o trabalho, passei o dia ansiosa,
mas achava que era porque era véspera de feriado, finalmente o relógio do
computador marcou 18h.
Eu voei para a rua e fui caminhando
feliz, volto a pé do meu trabalho, pois odeio trem lotado, trânsito e etc,
prefiro voltar caminhando e ouvindo meu mp3 e naquele dia pensando em como
aproveitaria meu 02/11, liguei para a minha prima Geni e sorrindo fui fofocando
e brincando com ela como sempre, quando no meio do caminho eu havia passado uns
5 passos da Cidade Jardim, de repente eu vejo um rapaz charmoso, bonito, de
terno, todo elegante me olhar com um jeito assustado, um “olhão” arregalado
como se tivesse visto assombração (realmente eu estava mesmo com cara de
Halloween), daí eu olhei de volta, olhei para trás para ver se ele ainda me
olhava e sim, ele ainda me olhava...mas segui o meu caminho e a minha conversa
com a Geni, andei, andei e andei mais um pouco e quando chegava na Rebouças eu
resolvi habilitar meu cartão de segurança no Itaú. Demorei horas ali, digitava
e digitava, falava sozinha com o caixa eletrônico, daí quando finalmente saí de
lá e me dirigi ao farol para atravessar, eu vejo o rapaz que me olhou assustado
saltar na minha frente e dizer: - Caramba, você corre, hein?
Na hora eu achei aquela situação tão
inusitada que não tive outra alternativa a não ser cair em uma risada gostosa
de quem se surpreende com algo muito diferente e bom, e respondi: - Não
acredito que você me seguiu!
Ele falou que não era todos os dias
que via uma mulher tão linda e charmosa passar e pediu meu telefone, antes que
eu começasse a andar rápido.
Eu falei para ele ter calma,
perguntei o nome, se trabalhava por ali e para onde ele estava indo.
Ele falou que ia até o escritório
dele que era na Rebouças.
Obviamente eu achei muito estranho,
pois eu o vi na Cidade Jardim indo em direção contrária, como ele ia voltar
tudo aquilo e se dirigir até o escritório na Rebouças? Só se fosse um maluco
andando sem rumo mesmo, com uma mochila nas costas...mas eu ignorei estes
pensamentos desconfiados e resolvi dar corda, porque afinal de contas, eu
gostei muito dele à primeira vista!
Falamos coisas típicas do gênero o
que você faz, onde você trabalha, etc...até que em um certo momento ele me
convidou para sentar e jantar, perguntou se eu gostava de comida árabe, eu
estava atrasada para o meu trabalho voluntário, disse isso a ele, mas ele
falava sem parar e parece não ter notado, falava coisas desconexas e às vezes
“nexas” hahahaha...muitas vezes anexas também, parecia muito agitado, perguntou
se no feriado eu trabalharia, se eu poderia jantar com ele, disse que eu era
muito apressada e se despediu de mim, me pediu um beijo, e já ia me deixar ir
embora sem anotar o meu telefone.
E eu percebendo tamanho absurdo
perguntei: - Ei, você não vai anotar o meu telefone?
Hahahahaha...daí ele arregalou de
novo aquele “olhão” lindo e perguntou, enquanto apalpava o bolso para procurar
o celular rapidamente: - Eu não anotei?
E eu calma e praticamente zombando
daquele nervosismo todo, zombando no bom sentido, pois algo no fundo do meu ego
se divertia muito em saber que provavelmente eu tinta total relação com aquele
momento desajeitado e nervoso que ele estava enfrentando, e este algo no meu
ego que se divertia, começava a se lisonjear de tal maneira como quem soubesse
que acabaria apaixonada em frações de segundos de convivência!
Enfim, eu abanei a cabeça devagar e
disse que ele não anotou nada.
Então, ele anotou rápido, eu tinha
certeza que ele não tinha entendido o meu nome, também eu não disse o nome
todo, disse apenas metade dele: Leli!
Primeiro porque eu gosto de ser
chamada assim, segundo porque me deu uma pontinha ínfima de medo de conversar
com um absoluto estranho no meio da rua e terceiro...rs...porque tinham acabado
de me dizer no final de semana que numerologicamente dava mais sorte o Leli que
o Leliane!!! E eu queria tanto ter muita sorte com aquele até então “ilustre
desconhecido”.
Sei que fui para a casa e liguei para
a Geni para relatar que um doido me seguiu na rua e nos divertimos muito com
essa história...disse que era um doido muito gato e torci para que ele
telefonasse mesmo.
No dia seguinte eu tive um feriado
maravilhoso ao lado da minha família, mas ele não me ligou, porém na
quinta-feira de manhã ele me mandou um sms dizendo: “Olá andarilha da Faria
Lima, hoje você pode parar para um café ou vai estar com pressa de novo?”
Eu disse que naquele dia eu não teria
tanta pressa e poderíamos tomar café sim.
Ele ligou e combinamos.
Saí um tanto quanto esperançosa para
aquele encontro, uma coisa inexplicável que dizia que seria diferente e
surpreendente.
Um quarteirão antes de encontrá-lo eu
pedi a Deus que eu gostasse e fosse correspondida, pois já estava cansada de
encontros e desencontros, de superficialidades, de vazio no coração.
Eu o encontrei, ele não quis ir no
Rei do Mate, fomos no Café Pelé, e eu me preocupei porque estava de tênis e
roupa social, não tive tempo nem de me arrumar, mas ele disse que eu estava
linda e me olhava de um jeito que realmente me fazia sentir assim!
No Café foi tudo muito gostoso, o
achei um tanto quanto apressado pois já tentou me beijar, mas eu evitei e disse
para irmos com calma, nos conhecermos mais e etc. Ele tinha me dito que havia
terminado um longo relacionamento há pouco tempo, eu questionei quanto tempo,
devido as minhas experiências anteriores traumáticas, e ele não soube responder
com muita convicção, enfim deixei para lá e continuei conhecendo outros
aspectos dele durante a conversa. Depois de um papo muito agradável e um clima
muito bom de romance no início, com mão na mão e toques e risos bobos, eu disse
que precisava ir para a casa. Muito cavalheiro, ele ofereceu de buscar o carro
e me levar, mas eu neguei alegando que não ia entrar em carro de estranhos...
Então, ele disse que me acompanharia
a pé e nada fez com que ele dissolvesse esta idéia. No caminho fomos
descobrindo muita afinidade, um jeito muito bom de olhar, de conversar, um
carinho incontrolável fez com quem a gente se abraçasse e caminhasse
assim...algo dentro de meu coração já pulsava de um jeito inevitavelmente forte
e constante, eu já estava encrencada então.
Cheguei em casa flutuando e fui
adicioná-lo no face...foi aí que eu tive uma pontada como se fosse um punhal em
minha alegria! Ele estava em um relacionamento sério.
E eu muito decepcionada escrevi para
ele: De acordo com o face, você está em um relacionamento sério.
E ele: Desculpe a minha covardia, eu
não tive coragem de te contar.
Eu: Acho melhor a gente não se
envolver enquanto você não resolver isto.
E ele disparou sms para mim, pediu
para me ligar, eu concordei, e na conversa ao telefone ele me explicou sua
situação e eu expus a minha, dizendo que não tinha como confiar em quem eu mal
conhecia e que não estava afim de me machucar...embora já me sentisse ferida e
desapontada, pois já tinha gostado mais do que deveria para um simples
encontro. Defini que não falaria mais com ele até ele resolver o que fosse
melhor para a vida dele. E já desacreditei que eu fosse a sua decisão, tendo em
vista que eu era uma estranha que ele viu duas vezes.
Fui dormir com o coração partido e
acordei lendo um sms dele, dizendo que mesmo que eu não passasse por ali, ele
estaria me esperando, mesmo sem abraço, beijo ou sorriso, pois ele queria muito
me ver, que tinha passado a noite em claro pensando em mim.
Querendo acreditar nisso mais do que
tudo, me agarrei à esperança e à coragem e passei em frente de onde ele me
esperava, chegando lá ele estava tão lindo contrastando um terno marrom com seu
olho verde-escuro, que eu me derreti e dei um beijo em seu rosto deixando uma
marquinha de batom, um abraço e um suspiro e fui para o trabalho. No caminho
fui pensando que história era aquela e que sentimento tão sem propósito era
aquele que invadia meu peito?
Recebi vários sms e e-mails naquele
dia, ele me dizia que havia colocado um ponto final em sua relação, que havia
passado mal, e eu me senti culpada por tudo aquilo desejei que ele seguisse seu
coração e tivesse certeza, que eu estava gostando dele, mas não queria que ele
se precipitasse e nem que fizesse ninguém sofrer.
O encontrei na volta na esquina da
sua casa, conheci um amigo dele, desanuviei um pouco o estresse de minhas
inseguranças e já, estranhamente, nos enxergava como um casal!
Ele me levou até em casa, nosso
primeiro beijo aconteceu, eu não resisti e o surpreendi na porta da minha casa,
mais à noite fui buscá-lo e fomos no Empanadas com meus melhores amigos.
Estava adorando descobrir cada
segundo algo a mais de sua personalidade, algo a mais sobre a sua pessoa...era
um algo muito bom para ser de verdade...
Mas sabe de uma coisa, gente?
Realmente era de verdade...e mesmo
que tenha acontecido tudo muito rápido e aparentemente maluco, eu e o Renato
não cansamos de ficar juntos, nos fazemos muito bem, e nos entendemos e
compreendemos em absolutamente tudo, e quando um discorda do outro, ainda assim
com muito respeito e interesse aceita o ponto de vista alheio. Colocando de uma
maneira sensata a própria opinião e por vezes um conselho.
Essa sempre foi a minha concepção de
relacionamento, não direi ideal, pois o ideal só existe na ideia, nem de sonho,
pois sonhar por vezes é utópico, mas eu usarei a palavra realidade, era esta a
realidade que sempre busquei e encontrei nos braços do Renato, quando ele está
comigo eu me esforço para ser alguém melhor, eu admiro este homem pelo o que
ele é, eu quero conquistá-lo sempre mais, pois isto me realiza e me sinto
conquistada a cada instante por ele também, nada entre nós é forçado, as coisas
fluem de uma forma mais que natural, embora a velocidade seja avassaladora, não
existe medo ou insegurança mais, temos e transmitimos um ao outro muita certeza
do que queremos, e evidente felicidade no que estamos vivendo!
Fazemos inúmeros planos juntos,
muitos já projetamos e começamos a realizar, simples coisas ao lado dele são
mágicas e inenarráveis para mim, como por exemplo andar de patins ou assistir
um filme no cinema...isso nunca me aconteceu antes, mas ao mesmo tempo eu sinto
que vivi 27 anos só para finalmente viver isso!
E é por isso que hoje eu não tenho
medo de admitir ao mundo e muito menos a mim, que eu o amo, e que dia após dia
amadurecerei este sentimento lindo e verdadeiro, construindo uma relação sólida
e saudável, do tipo que faz e recebe somente o bem.
Não me cansarei de agradecer a Deus
meu doce novembro, principalmente porque deste novembro até o resto dos meus
dias, eu sei que viverei assim...como se fosse o primeiro mês!
<3
Leli