A vida não pode ser medida por
decepções ou mágoas, mas deve ser encarada por momentos em que sorrimos, e por
pessoas que nos fizeram sorrir ou compartilharam da alegria conosco. Do mesmo jeito que o vento pode ser uma brisa
suave e acariciar nossa pele, ou desarrumar nossos cabelos, ele pode ser um
tufão e destruir sólidas construções. Assim como o tempo que ameniza situações
desagradáveis ou piora distâncias.
Ultimamente venho pensando muito
na vida, no tempo, na saudade, nas circunstâncias, em quem chegou e em que se
foi da minha rotina. Em quem o destino me presenteou como dádiva, gente que me
pergunto se cheguei a merecer algum dia. Em quem eu me esforcei para que
permanecesse e em quem eu expulsei sem mais nem menos. Em amizades, em amor, em
parentesco de alma, de sangue, de coração. Penso também no sentido dos
desentendimentos, no tempo desperdiçado, na convivência desfeita, nos laços
desatados, elos perdidos, perdidos? Talvez apagados. Deixando um grande borrão manchado
no lugar, manchas de um passado que de tão bom custa em deletar lembranças,
custa em se conformar com a palavra: passou.
Eu sempre fui muito saudosista,
fui também sempre adepta da fuga da realidade em situações de sentimentos
confusos. Me negando a acreditar que o que eu tinha desmoronou, mas este desmoronamento
era só uma mudança, de lugar, ordem, pessoas, enfim, a vida é cíclica, raras
coisas são perenes nestes ciclos. Mas isso não significa que tenhamos que
deletar sentimentos como arquivos ultrapassados de computador. Aliás, quando é
verdadeiro quem deleta um amor? Existem pessoas que fazem parte da formação do
que somos, acreditamos, ideais e ideias que defendemos ,então, como podemos
deixá-las ir com o vento, ou com o tempo?
No máximo deixamos a porta
aberta, ou a cópia da chave de nossa vida embaixo do tapete, lugar que elas
sempre souberam onde ficava, para quando acharem apropriado, entrarem novamente
em nosso cotidiano e desfrutarem das novas fases e momentos que estivermos
passando, afinal de contas, existem pessoas que nunca deixaram e nem deixarão de ser
bem-vindas!
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